Modelo de Advertencia por Falta | 2026 | Advertência disciplinar formal registrada no prontuário do empregado por faltas injustificadas.
Como estruturar a prova da gradação disciplinar para sustentar a justa causa por faltas e evitar reversão em juízo?
Em ação trabalhista que discute justa causa por falta injustificada, o ponto costuma girar em torno da coerência do histórico disciplinar e da capacidade de demonstrar, com segurança, a escalada de medidas antes da ruptura do contrato de trabalho. Aqui, o que ajuda o cliente é organizar a narrativa e a prova como um “encadeamento” lógico: regras claras, ciência do empregado, registro de descumprimentos, punições proporcionais e, por fim, a ruptura como consequência esperada.
JUSTA CAUSA. DESÍDIA. FALTAS INJUSTIFICADAS AO TRABALHO. Caso em que o reclamante recebeu advertência e suspensões em razão do descumprimento de normas internas da reclamada e de reiteradas faltas injustificadas ao trabalho. Reincidência na conduta de faltas injustificadas que autoriza a extinção do contrato de trabalho por justa causa. Recurso ordinário do reclamante desprovido.TRT4, 0020854-97.2020.5.04.0027, Recurso Ordinário Trabalhista, Wilson Carvalho Dias, 7ª TURMA, Julgado em 13/03/2024, Publicado em 13/03/2024
JUSTA CAUSA. FALTAS INJUSTIFICADAS AO TRABALHO. Ao Reclamante foram aplicadas advertência e suspensões por reiteradas faltas injustificadas e atrasos ao trabalho. A reincidência na conduta autoriza extinção do contrato de trabalho por justa causa.TRT4, 0020628-97.2021.5.04.0014, Recurso Ordinário Trabalhista, Joao Pedro Silvestrin, 7ª TURMA, Julgado em 28/06/2023, Publicado em 28/06/2023
Na prática forense, a “virada de chave” costuma estar na forma como se demonstra a gradação: não basta dizer que houve faltas; é preciso fazer o juízo enxergar a progressão e a previsibilidade da ruptura, como resposta final a um padrão. E isso pode ser feito com uma montagem simples e eficiente do conjunto probatório.
-
Carta de advertência: juntar a carta, com identificação mínima (incluindo nome do empregado), descrição objetiva do ocorrido, referência às normas internas e ao impacto no ambiente de trabalho. O registro deve permitir leitura rápida e clara do que aconteceu e por quê.
-
Advertências em sequência: evidenciar a quantidade e a ordem cronológica, mostrando que não foi “uma vez isolada”, mas repetição de comportamento. Isso dá lastro à penalidade mais grave.
-
Suspensão disciplinar: comprovar que houve tentativa real de correção do rumo, com aplicação proporcional e alinhada à disciplina interna.
-
Assinatura e ciência: quando houver assinatura do empregado, ótimo; quando não houver, documentar a recusa e a tentativa de entrega, para reforçar que estava ciente.
-
Testemunhas: selecionar pessoas que consigam falar do impacto organizacional (faltas em escala, cobertura de turnos, redistribuição de tarefas), porque isso mostra razão concreta para o endurecimento das medidas.
-
Conformidade de procedimento: demonstrar que o empregador aplica o mesmo padrão em casos semelhantes com outros colaborador(es), para afastar alegação de perseguição ou seletividade.
A melhor linha costuma ser a de mostrar que a ruptura não foi surpresa, mas consequência previsível e advertida, amarrada a um histórico disciplinar coerente. Isso aumenta a força defensiva e reduz espaço para narrativa de desproporcionalidade.
Ao final, a estratégia fica mais sólida quando o conjunto demonstra a sequência lógica entre faltas, punições e ruptura, de modo que a rescisão apareça como desfecho natural do histórico e não como ato abrupto.
Quais cuidados práticos na comunicação e na formalização da demissão por justa causa evitam nulidades e melhoram a defesa em processos?
Em processos envolvendo demissão por motivo ligado a faltas reiteradas, o risco não está só no mérito, mas na formalização: a comunicação mal redigida, o documento genérico, a falta de amarração com regras internas ou a ausência de registro de ciência podem enfraquecer a tese e abrir margem para reversão. O foco aqui é transformar a formalização em peça defensiva: cada documento precisa “conversar” com o histórico e explicar os motivos de forma objetiva.
Para deixar a documentação robusta e útil em juízo, ajuda seguir um roteiro de redação e de gestão de prova, pensando sempre no que efetivamente será demonstrado no processo.
-
Aviso formal da ruptura: redigir de forma direta, identificando o tipo de desligamento e a causa do término, com descrição pontual do que motivou a medida e remissão às normas internas.
-
Forma e termos: padronizar linguagem, datas, e referências internas; inconsistências costumam ser exploradas pela parte contrária como fragilidade de procedimento.
-
Relação de emprego e contexto funcional: situar a situação do trabalhador (escala, jornada, função) e como as faltas afetaram o desempenho do setor, especialmente quando há dependência de equipe e cobertura de turnos.
-
Segurança da informação e rastreabilidade: manter trilha documental (e-mail, protocolo de entrega, registro em sistema), para comprovar a comunicação e a ciência, sem depender exclusivamente de prova oral.
-
Empregador e padronização: demonstrar que a empresa mantém procedimento e que ele é aplicado a colaboradores em casos semelhantes, reforçando isonomia entre pessoas e coerência disciplinar.
-
Efeitos do desligamento: em contestação, é útil demonstrar que a modalidade de ruptura foi escolhida por coerência com o histórico e seus efeitos legais, inclusive a ausência de aviso prévio e de parcelas típicas da dispensa imotivada, deixando claro que isso deriva do enquadramento jurídico adotado.
-
Aviso prévio: ao tratar do tema, amarrar no suporte legal — a CLT prevê as consequências da justa causa, e o enquadramento do motivo disciplinar se conecta ao artigo 482 da clt (além da lógica das verbas rescisórias previstas na legislação).
-
Decisão interna e registro: documentar a deliberação interna (quem analisou, quais documentos foram considerados), pois isso ajuda a afastar a aparência de ato impulsivo e reforça a seriedade da apuração.
-
Hipóteses sensíveis: quando existirem justificativas possíveis (doença, transporte, eventos familiares), já antecipar no dossiê por que não foram aceitas (ausência de comprovação, apresentação fora do prazo, inconsistência), para neutralizar argumento posterior.
Aqui, o ganho mais prático é transformar a comunicação do desligamento em prova organizada, com narrativa coerente e documentos que se sustentam sozinhos, sem depender de “interpretação” ou de reconstrução posterior em audiência.
Fechando, a defesa fica mais consistente quando o desligamento está formalmente bem amarrado, com documentação rastreável e narrativa objetiva, reduzindo espaços para alegações de vício de procedimento ou fragilidade probatória.
Mais conteúdo sobre direito do trabalho
Modelo de advertência por falta grave.
Modelo de reclamação trabalhista para reversão de justa causa.
Modelo de reclamação trabalhista - jornada de trabalho.
Você encontra estes e outros modelos em nosso BANCO DE PETIÇÕES - caso precise de algo mais específico, mande um e-mail pra gente!