Petição
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ___ JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CIDADE - UF
Proc.Número do Processo
Nome Completo, já qualificado nos autos supra, através de seu advogado infra-assinado, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência apresentar suas
ALEGAÇÕES FINAIS
I — DOS FATOS
Trata-se de ação de indenização por danos materiais e morais decorrente de fraude em boleto bancário. O Autor efetuou o pagamento de boleto que havia sido adulterado por vírus, o qual substituiu os dados do credor original pelos dados de conta de terceiro fraudador. O banco réu recusa-se a reconhecer o pagamento e mantém a cobrança da dívida original, imputando ao Autor responsabilidade pela fraude.
II — DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO BANCO
Ao disponibilizar serviços bancários por meio eletrônico, a instituição financeira assume a responsabilidade pelos riscos inerentes à segurança dessas operações. A adulteração de boleto por vírus no ambiente digital configura falha no sistema de segurança do serviço bancário — e não fato exclusivo do consumidor.
A responsabilidade do banco é objetiva, nos termos do art. 14 do Código de Defesa do Consumidor e do art. 927, parágrafo único, do Código Civil. O banco só se exime dessa responsabilidade se demonstrar culpa exclusiva do consumidor — ônus que lhe incumbe e que não foi cumprido nos autos.
O Autor pagou o boleto que lhe foi apresentado, agindo de boa-fé. Não há qualquer prova de negligência específica de sua parte que pudesse justificar a transferência da responsabilidade pela fraude ao consumidor. A obrigação de desenvolver mecanismos antifraude no ambiente bancário digital é da instituição financeira, não do correntista.
III — DA COBRANÇA INDEVIDA E DO DANO MORAL
O banco réu, mesmo após o Autor demonstrar o pagamento do boleto, manteve a cobrança da dívida original e recusou-se a reconhecer a quitação e a baixar o débito. Essa conduta configura cobrança indevida de dívida já paga — na perspectiva do consumidor de boa-fé — e gera o dever de indenizar.
O Autor chegou a propor solução extrajudicial ao banco, abrindo mão de qualquer indenização desde que o banco assumisse o prejuízo causado pela fraude, baixasse o boleto e cancelasse o cartão. O banco recusou a proposta, evidenciando descaso com o consumidor e ausência de boa-fé na condução do conflito.
Sobre o tema:
DIREITO DO CONSUMIDOR E BANCÁRIO. RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. FRAUDE COMETIDA POR TERCEIROS. VAZAMENTO DE DADOS BANCÁRIOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DANO MATERIAL E DANO MORAL. PARCIAL PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME Recurso inominado interposto por Marcelo de Souza Costa visando a reforma de sentença que julgou improcedentes os pedidos de indenização por danos materiais e morais em face do Banco B.V. S/A e da Neon Pagamentos S.A., decorrentes de fraude relacionada …