Petição
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL E CRIMINAL DA COMARCA DE $[processo_cidade] — $[processo_uf]
PROCESSO N.º $[processo_numero_cnj]
$[parte_reu_nome_completo], já qualificado nos autos em epígrafe, por intermédio de seu defensor, vem, à presença de Vossa Excelência, apresentar
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS
com fundamento no art. 403, § 3.º, do Código de Processo Penal, pelas razões a seguir aduzidas.
I — BREVE SÍNTESE DO PROCESSO
O acusado foi denunciado pela suposta prática do crime de homicídio qualificado tentado (art. 121, § 2.º, I e VI, c/c art. 14, II, do Código Penal) e, por aditamento, de homicídio qualificado consumado (art. 121, § 2.º, I e VI, c/c art. 121, § 2.º-A, I, do Código Penal). Transcorrida a instrução criminal, o Ministério Público apresentou suas alegações finais requerendo a pronúncia do acusado. A defesa, pelas razões a seguir expostas, requer a impronúncia.
II — DA FUNÇÃO DA PRONÚNCIA COMO FILTRO GARANTISTA
A pronúncia tem função de filtro na primeira fase do procedimento do Júri. Ela assegura que apenas casos com base probatória mínima de autoria ou participação cheguem ao Tribunal do Júri, evitando que o acusado seja submetido ao veredito soberano dos jurados sem que haja indícios idôneos de sua participação no crime.
A impronúncia, prevista no art. 414 do Código de Processo Penal, é a decisão cabível quando o juiz togado não se convence da presença desses indícios mínimos. No caso concreto, essa é a conclusão que se impõe.
III — DA AUSÊNCIA DE INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA
III.I — TODA A PROVA É INDIRETA: TESTEMUNHAS QUE NÃO PRESENCIARAM O CRIME
A instrução criminal demonstrou que nenhuma testemunha ouvida em juízo presenciou o crime. Todos os depoimentos colhidos — tanto na fase policial quanto em sede judicial — são baseados em "ouvir dizer": as testemunhas relataram o que populares presentes no local lhes contaram, sem identificar com precisão os autores dos disparos.
Os relatos convergem apenas para indicar que dois indivíduos em motocicleta de cor preta, usando capacetes e trajando roupas escuras, foram os executores — descrição que impossibilita qualquer reconhecimento individualizado do acusado. Nenhuma testemunha apontou o acusado como executor do delito a partir de percepção direta dos fatos.
O depoimento indireto — de quem repete o que outros disseram — tem valor probatório limitado e é insuficiente, por si só, para configurar indício idôneo de autoria apto a sustentar a pronúncia.
Assim se pronuncia a jurisprudência:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO E TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO. SENTENÇA DE IMPRONÚNCIA. RECURSO MINISTERIAL. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA. TESTEMUNHO DE "OUVIR …