Petição
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA $[PROCESSO_VARA] VARA CÍVEL DA COMARCA DE $[PROCESSO_COMARCA] - $[PROCESSO_UF]
$[parte_autor_nome_completo], $[parte_autor_nacionalidade], $[parte_autor_estado_civil], $[parte_autor_profissao], portador do $[parte_autor_rg] e inscrito no CPF sob o nº $[parte_autor_cpf], residente e domiciliado na $[parte_autor_endereco_completo], por seus procuradores ao final assinados, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos arts. 6º, V e VIII, 39, V, 51 e 52 do CDC, arts. 300, 319, 330, 373, 396 a 404 e 784 do CPC, e demais disposições aplicáveis, propor a presente
AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO CUMULADA COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA
em face de $[parte_reu_razao_social], pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº $[parte_reu_cnpj], com sede na $[parte_reu_endereco_completo], pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.
I. SÍNTESE FÁTICA
O Autor mantém conta corrente nº $[geral_informacao_generica], agência $[geral_informacao_generica], junto à instituição financeira Ré, por meio da qual contratou empréstimo pessoal, em 11/05/2012, no valor principal de R$ 10.000,00, a ser quitado em 24 parcelas mensais, no valor individual de R$ 809,96, mediante débito automático em conta.
O Autor adimpliu 12 parcelas, contudo passou a suportar encargos financeiros que elevaram de forma substancial o custo da operação, tornando o contrato excessivamente oneroso e em manifesta desproporção econômica, situação que inviabilizou a continuidade do pagamento nos moldes originalmente impostos.
O agravamento do débito decorre da incidência de juros remuneratórios elevados, eventual capitalização indevida, além da cobrança de encargos acessórios e moratórios, cuja legalidade e forma de incidência não se mostram claras nem transparentes, violando o dever de informação e a boa-fé objetiva.
Ademais, a Ré vem adotando postura típica de coerção creditícia, com risco concreto de negativação do nome do Autor, bem como possibilidade de débitos automáticos unilaterais, circunstâncias que agravam o desequilíbrio contratual e justificam a intervenção judicial imediata.
II – DO DIREITO
1. Da incidência do Código de Defesa do Consumidor e do controle judicial das cláusulas contratuais
A relação jurídica estabelecida é nitidamente de consumo, enquadrando-se a Ré como fornecedora de serviços financeiros (art. 3º, §2º, do CDC) e o Autor como destinatário final.
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
O Código de Defesa do Consumidor assegura ao consumidor a modificação de cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou excessivamente onerosas (art. 6º, V, do CDC), bem como veda práticas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
Nos termos do art. 51, IV e §1º, III, do CDC, são nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam obrigações abusivas ou incompatíveis com a boa-fé e o equilíbrio contratual, sendo plenamente admissível a revisão judicial de contratos bancários.
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade;
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:
III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.
2. Dos juros remuneratórios e da abusividade concreta no caso específico
É pacífico que contratos bancários admitem a pactuação de juros remuneratórios. Todavia, tal liberdade não é absoluta, estando sujeita ao controle judicial quando demonstrada abusividade concreta, à luz das circunstâncias do contrato, do custo efetivo da operação e da transparência das informações prestadas.
No caso em exame, a ausência de clareza quanto à taxa efetivamente aplicada, ao método de amortização e ao custo real do financiamento autoriza a revisão do pacto, especialmente diante da manifesta onerosidade superveniente experimentada pelo Autor. Assim se posiciona a jurisprudência:
APELAÇÃO CÍVEL. Direito do Consumidor. Ação Revisional. Cédula de Crédito Bancário para aquisição de veículo. Cláusulas abusivas. Juros remuneratórios, tarifas e método de amortização. Sentença de parcial procedência. Apelo das partes. Constatada pela perícia técnica contábil divergência entre a taxa de juros contratada (2,25% a.m.) e a efetivamente aplicada (2,2816% a.m.), impõe-s…