Modelo de Contrarrazões | Pedido de Demissão | 2026 | Contrarrazões da reclamada em defesa da sentença de improcedência, discutindo a validade do pedido de demissão, a ausência de diferenças rescisórias, o dano extrapatrimonial e o regime dos honorários.
Quem tem que provar que o pedido de demissão foi obtido sob pressão?
Quem alega. O pedido de demissão é ato de iniciativa do empregado, e desconstituí-lo exige demonstrar vício de consentimento.
Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
A mesma distribuição consta do art. 818, I, da CLT, aplicável ao processo do trabalho.
Ao contrarrazoar, o caminho objetivo é apontar o que não foi produzido: testemunha que confirme a pressão, comunicação escrita nesse sentido, registro de reclamação interna anterior ao desligamento ou qualquer elemento contemporâneo aos fatos.
Há um ponto de direito intertemporal que merece conferência. Para rescisões anteriores a 11 de novembro de 2017, o art. 477, § 1º, da CLT exigia assistência sindical ou da autoridade competente no pedido de demissão de empregado com mais de um ano de serviço. O dispositivo foi revogado pela Lei nº 13.467/2017, e para desligamentos posteriores essa formalidade não é mais exigível.
Vale checar a data da rescisão antes de escrever o capítulo, porque a ausência daquela assistência pode ser argumento relevante em contratos antigos.
Por que o pedido de diferenças rescisórias costuma ser rejeitado?
Quase sempre pela mesma razão: a petição não diz quais são as diferenças.
Não basta afirmar que o termo de rescisão está incorreto. É preciso indicar as parcelas, os períodos e os valores que se entende devidos, ainda que por amostragem.
A exigência não é formalismo. Sem essa delimitação, não há como definir o objeto da controvérsia nem submeter o cálculo a contraditório, e o encargo recai sobre quem afirma a existência do crédito.
Na defesa da sentença, portanto, convém confrontar item por item o que o termo de rescisão contabilizou com o que o recurso alega, evidenciando a ausência de apontamento específico.
Pressão para pedir demissão gera dano extrapatrimonial?
Pode gerar, desde que demonstrada a conduta e identificado o bem atingido. Nenhuma das duas coisas se presume.
O regime aplicável está nos arts. 223-A a 223-G da CLT, que exigem ofensa a bem juridicamente tutelado da pessoa. Tratando-se de empregado pessoa natural, os bens são os relacionados no art. 223-C, entre eles a honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima e a integridade física.
Reserve o art. 223-D para a hipótese de pedido formulado por pessoa jurídica, porque ele cuida da esfera desta.
Ao contrarrazoar, vale explorar duas ausências: a falta de indicação de qual bem foi atingido e a falta de descrição de conduta concreta que o alcançasse.
Quando o dano é deduzido do mesmo fato cuja ocorrência não se provou, a análise não avança para o dano nem para o nexo causal, o que simplifica a resposta.
Qual é o regime dos honorários na Justiça do Trabalho hoje?
Depende da data de ajuizamento, e esse é o ponto onde os modelos mais envelhecem.
Para as ações propostas até 10 de novembro de 2017, os honorários não decorriam da simples sucumbência: dependiam de assistência sindical, na forma do art. 14 da Lei nº 5.584/1970.
Dois detalhes desse regime costumam passar batido. O art. 16 da mesma lei, que destinava a verba ao sindicato, foi revogado pela Lei nº 13.725/2018. E o antigo limite de quinze por cento não subsiste, tendo o entendimento consolidado passado a admitir percentual entre dez e vinte por cento sobre a condenação, o proveito econômico ou, não sendo possível mensurá-lo, o valor da causa.
Para as ações propostas a partir de 11 de novembro de 2017, incide o art. 791-A da CLT, com honorários de sucumbência entre cinco e quinze por cento, independentemente de assistência sindical.
Atenção a um erro recorrente no argumento subsidiário sobre base de cálculo: o art. 11, § 1º, da Lei nº 1.060/1950 foi revogado pelo art. 1.072, III, do Código de Processo Civil, e não serve mais de fundamento.
Por fim, um argumento anterior a todos: se a parte não obteve êxito em nenhum pedido, a pretensão de honorários não se sustenta, porque a verba pressupõe sucumbência da parte adversa.
Como adaptar este modelo ao caso concreto?
- Confira a data de ajuizamento e a data da rescisão antes de escrever, porque a primeira define o regime dos honorários e a segunda a exigência de assistência no pedido de demissão.
- Corrija a identificação das partes em todo o documento, verificando quem recorreu, porque a troca entre reclamante e reclamada nos marcadores e no pedido final é frequente nesse tipo de peça.
- Liste os elementos de prova que a parte contrária não produziu, com referência ao evento ou à folha, em vez de afirmar genericamente que não houve prova.
- Confronte cada parcela do termo de rescisão com o que o recurso alega, demonstrando a ausência de apontamento específico das diferenças.
- Fundamente o capítulo do dano pelo regime dos arts. 223-A a 223-G da CLT, e não apenas pelo art. 186 do Código Civil, indicando o bem do art. 223-C supostamente atingido.
- Retire qualquer referência ao art. 11, § 1º, da Lei nº 1.060/1950 e ao limite de quinze por cento dos honorários assistenciais.
- Ajuste o pedido final para requerer o não provimento do recurso, evitando expressões como recurso improcedente, e reveja o pedido genérico de prequestionamento.
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