Modelo de Contrarrazões | Dano Moral | Mero Dissabor | 2026 | Contrarrazões da parte ré em defesa da sentença que deferiu apenas a reparação material e afastou o dano moral, respondendo ao recurso da parte autora que insiste na indenização extrapatrimonial.
Quando o transtorno alegado na inicial não configura dano moral?
Quando permanece no terreno do contratempo. O sistema de responsabilidade civil exige mais do que incômodo: pede violação a um bem da personalidade.
Na responsabilidade subjetiva, prevista nos arts. 186 e 927 do Código Civil, os elementos são a conduta, o dano, o nexo causal entre eles e ainda o dolo ou a culpa do agente. Faltando qualquer um, não há dever de indenizar.
Nas hipóteses de responsabilidade objetiva, o dolo e a culpa são dispensados, permanecendo exigíveis a conduta, o dano e o nexo causal. Vale identificar em qual regime o caso se enquadra antes de montar a defesa, porque isso define o que precisa ser demonstrado.
O que a defesa costuma demonstrar é a ausência do dano. Aborrecimento com o descumprimento de um contrato, demora no atendimento ou frustração de expectativa não atingem, por si, honra, imagem, integridade psíquica ou nome.
Cabe um cuidado conceitual aqui. A repercussão externa não é requisito do dano moral. A lesão à integridade psíquica ou a outro direito da personalidade pode ocorrer sem qualquer divulgação a terceiros, e a ausência de repercussão é apenas um elemento de análise, não um critério que resolva a questão.
Na direção oposta, restrição de crédito, divulgação a terceiros, perda de oportunidade ou constrangimento presenciado também não configuram o dano automaticamente. Permanece necessário examinar a gravidade e a natureza da repercussão em cada caso.
A perda de uma oportunidade merece atenção específica: com frequência ela se traduz em prejuízo patrimonial, indenizável como dano material, sem que disso decorra lesão a direito da personalidade.
Convém sustentar esse tópico sem qualificar a parte adversária. Afirmar que o pedido busca enriquecimento indevido ou integra uma suposta indústria de indenizações desloca o foco para a intenção de quem litiga, quando o que interessa é a insuficiência da prova do dano.
A quem cabe provar o dano moral, e em que casos ele se presume?
A regra geral atribui esse encargo a quem afirma ter sofrido o dano.
Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
A ressalva importa para não perder a peça. Em hipóteses específicas, o dano é presumido a partir do próprio fato, e a prova do abalo concreto deixa de ser exigida. A inscrição indevida em cadastro restritivo é o exemplo mais frequente.
Mesmo essa presunção tem limite. Havendo inscrição legítima anterior à anotação impugnada, o entendimento consolidado afasta, em regra, a indenização por dano moral, preservando o direito ao cancelamento do registro indevido. Vale conferir a data e a origem de cada apontamento antes de tratar o dano como presumido.
Por isso, antes de invocar a falta de prova, vale confirmar que o caso não se enquadra em uma dessas hipóteses. Se se enquadrar, o argumento correto passa a ser outro: a inexistência do fato, a licitude da conduta ou a ausência de nexo causal.
Quando a hipótese é de dano que depende de comprovação, a defesa se constrói apontando o que não foi produzido. Vale indicar, item por item, que não há documento, testemunha ou registro demonstrando a repercussão alegada.
Para qual órgão o recurso inominado é encaminhado e como endereçar a peça?
Não é o segundo grau da Justiça comum. O recurso inominado é julgado dentro da própria estrutura dos Juizados.
Art. 41. (...)
§ 1º O recurso será julgado por uma turma composta por três Juízes togados, em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.
O destinatário, portanto, é a Turma Recursal, e não Câmara, Grupo ou Seção de segundo grau. O tratamento adequado acompanha esse órgão, com endereçamento à Turma e vocativo aos julgadores que a compõem.
Vale checar a coerência entre a petição de encaminhamento e o corpo da peça. É comum que uma delas peça remessa ao segundo grau comum enquanto a outra se dirige à Turma Recursal, e essa divergência dentro do mesmo documento chama atenção antes do mérito.
Outro ponto de precisão: quando a instrução foi dirigida por juiz leigo, o que ele elabora é submetido ao juiz togado, na forma do art. 40 da Lei nº 9.099/1995. Ao transcrever a fundamentação, o correto é atribuí-la à sentença homologada, e não tratar o auxiliar como prolator do julgado.
O pedido deve ser de não conhecimento ou de não provimento do recurso?
São coisas distintas, e misturá-las enfraquece a peça.
O não conhecimento se apoia em ausência de requisito de admissibilidade: intempestividade, falta de preparo, ilegitimidade, ausência de interesse recursal ou falta de impugnação específica dos fundamentos da sentença. É juízo prévio, que não entra no mérito.
A última hipótese exige cautela. A repetição de argumentos já apresentados em primeiro grau não basta, por si, para justificar o não conhecimento, desde que as razões efetivamente enfrentem os fundamentos da sentença. O que a inviabiliza é o recurso que não dialoga com a decisão, e não o que a combate com os mesmos argumentos.
O não provimento pressupõe recurso admissível e ataca o conteúdo: as razões existem, foram examinadas e não convencem.
Quando ambos são cabíveis, a formulação é sucessiva. Pede-se o não conhecimento e, caso superado, o não provimento, com a manutenção integral da sentença.
O que não funciona é sustentar ao longo do texto que o recurso não merece conhecimento e, no pedido final, requerer apenas o desprovimento, ou o inverso. A incoerência entre fundamentação e pedido é o tipo de falha que se corrige em um minuto de leitura.
Como adaptar este modelo ao caso concreto?
- Confira se o caso não é de dano presumido antes de construir a defesa sobre a falta de prova, porque nessas hipóteses o argumento correto é outro.
- Relacione, um a um, os elementos de repercussão que a inicial alegou e não comprovou, indicando o evento ou a folha correspondente.
- Retire as qualificações da parte adversária e da peça recursal, mantendo a firmeza no exame da prova, que é o que sustenta o resultado.
- Enderece a peça à Turma Recursal e verifique se a petição de encaminhamento e o corpo do documento apontam para o mesmo órgão.
- Ao transcrever trecho da sentença, identifique-a pelo evento ou pela folha, sem nomear servidores ou auxiliares da Justiça.
- Escolha entre não conhecimento e não provimento, ou formule os dois em ordem sucessiva, e faça o pedido final espelhar exatamente o que a fundamentação sustentou.
- Elimine as repetições literais de parágrafos inteiros, comuns nesse tipo de peça, mantendo cada argumento uma única vez.
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Fluxograma sobre recurso inominado.
Fluxograma sobre o procedimento do Juizado Especial Cível.