Modelo de Contraminuta | Agravo de Instrumento em RR | 2026 | Resposta ao agravo de instrumento em recurso de revista, com as teses de indeferimento da gratuidade à pessoa jurídica, deserção por ausência de depósito recursal e ausência de prequestionamento.
Qual é a diferença entre contraminuta e contrarrazões no recurso de revista?
Ao agravo de instrumento apresenta-se contraminuta; ao recurso de revista, contrarrazões. Conforme o art. 897, § 6º, da CLT, o agravado é intimado para responder a ambos no prazo legal.
A contraminuta concentra-se nos fundamentos que sustentam a inadmissibilidade do recurso de revista, defendendo a manutenção da decisão denegatória.
A pessoa jurídica pode obter gratuidade de justiça no processo do trabalho?
Pode, mas o regime é mais exigente do que o aplicável à pessoa natural.
Conforme a Súmula 463, II, do TST, para a concessão da gratuidade à pessoa jurídica não basta a mera declaração: é necessária a demonstração cabal de impossibilidade de arcar com as despesas do processo.
A simples afirmação de hipossuficiência, sem lastro probatório concreto, não é suficiente. A situação econômica deve ser demonstrada por documentos contábeis e financeiros, como balanços patrimoniais, demonstrações de resultado, extratos bancários, declarações fiscais, faturamento, fluxo de caixa, endividamento e eventual situação de recuperação judicial. Vale lembrar que a contratação de advogado particular não impede a gratuidade, conforme o art. 99, § 4º, do CPC. O porte formal ou a mera declaração de insuficiência não bastam, isoladamente, para conceder ou afastar o benefício.
O indeferimento da gratuidade causa a deserção do recurso de revista?
Não imediatamente. Indeferido o pedido de gratuidade formulado na fase recursal, o relator deve conceder prazo para que a parte efetue o preparo, conforme o art. 99, § 7º, do CPC e a OJ 269, II, da SBDI-1 do TST.
A deserção somente se configura se, regularmente intimada, a parte deixar de recolher as custas e o depósito recursal exigíveis no prazo concedido. Mantido o indeferimento da gratuidade e ausente a regularização, o recurso não pode ser conhecido.
O que é o prequestionamento exigido no recurso de revista?
O prequestionamento é pressuposto específico de admissibilidade do recurso de revista. Exige que a matéria constitucional ou legal invocada tenha sido expressamente debatida e decidida no acórdão recorrido.
O art. 896, § 1º-A, I, da CLT exige a indicação do trecho da decisão recorrida que consubstancia o prequestionamento. O inciso II exige a indicação explícita e fundamentada da contrariedade ou violação, enquanto o inciso III determina a impugnação analítica dos fundamentos jurídicos da decisão recorrida.
A mera menção às teses no corpo do recurso, sem demonstrar em que passagem do acórdão regional a matéria foi enfrentada, não satisfaz esse requisito.
Como se configura a ausência de divergência jurisprudencial no recurso de revista?
A divergência jurisprudencial apta a embasar o recurso de revista deve ser específica, revelando teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo em situações fáticas análogas, conforme a Súmula 296 do TST.
O simples cotejo de ementas, sem demonstração da identidade fática entre o caso concreto e os julgados invocados, não satisfaz a exigência. Arestos provenientes de fontes não admitidas pelo art. 896, alínea "a", da CLT ou superados pela jurisprudência atual do TST também são inservíveis.
Quando cabe pedido de multa por litigância de má-fé na contraminuta?
O pedido de multa por litigância de má-fé tem fundamento nos arts. 793-B e 793-C da CLT. A aplicação das disposições introduzidas pela Reforma Trabalhista deve observar os arts. 7º e 8º da Instrução Normativa 41/2018 do TST. A condenação prevista no caput do art. 793-C aplica-se às ações ajuizadas a partir de 11 de novembro de 2017, enquanto as regras indicadas no art. 7º da Instrução Normativa possuem aplicação imediata.
O art. 793-B elenca as hipóteses, entre elas deduzir pretensão contra texto expresso de lei ou fato incontroverso e usar do processo para conseguir objetivo ilegal.
A multa deve ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, além de indenização pelos prejuízos sofridos. O pedido deve ser concreto e fundamentado em conduta específica da parte contrária identificada nos autos.
Como adaptar este modelo ao caso concreto?
- Liste os elementos concretos que contradizem o pedido de gratuidade da pessoa jurídica, extraídos dos próprios autos ou de fontes públicas, sem conjecturas.
- Verifique separadamente o recolhimento das custas e do depósito recursal, considerando eventuais isenções, reduções e oportunidades legais de regularização. Se a gratuidade requerida na fase recursal for indeferida, confirme se foi concedido prazo para o preparo antes de sustentar a deserção.
- Identifique os fundamentos da decisão denegatória do recurso de revista e demonstre que o agravo não os enfrentou especificamente.
- Confirme a data de ajuizamento da ação e observe os arts. 7º e 8º da Instrução Normativa 41/2018 do TST para definir o regime aplicável à litigância de má-fé e aos honorários sucumbenciais (art. 791-A da CLT).
- Verifique se há contrarrazões ao recurso de revista a apresentar conjuntamente, na forma do art. 897, § 6º, da CLT.
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